2ª Conferência de Saúde Mental do ISPTundavala

2ª Conferência de Saúde Mental do ISPTundavala

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Foto de Instituto Superior Politécnico Tundavala.

«DIGNIDADE NA SAÚDE MENTAL: PRIMEIROS SOCORROS DA SAÚDE MENTAL E PSICOLÓGICA PARA TODOS »
Síntese da II Conferência sobre saúde mental do ISPT

No âmbito do 10 de Outubro, em que se comemora o dia da saúde mental, nos dias 05 e 06 de Outubro, foi realizada a II conferência de saúde mental no sentido de reflectir em torno das questões ligadas à saúde mental e proporcionar a comunidade académica e civil um momento de partilha de conhecimentos, divulgação de estudos realizados com amostras angolanas e não só na área de saúde mental.

A conferência contou com a presença de várias entidades. Destacamos e agradecemos a participação da Professora Doutora Madalena Alarcão, Vice-reitora da Universidade de Coimbra, das entidades nacionais provenientes da província de Luanda, Dr. João Augusto, Dr.ª Ariete Rosário e Dr.ª Hildelise Gonzalez. Destacamos com o mesmo nível de importância, todos os presentes da província da Huíla as Exmas. Sr.ª Administradoras Municipais do Quipungo e da Humpata, Reitor da Universidade Mandume-ya-Ndemufaio, Decano da Faculdade de Medicina, Director do ISCED do Lubango, Directores e Representantes dos Hospitais Central, Psiquiátrico, Militar e Pediátrico, Representante do MAPESS, Médicos Psiquiatras, Psicólogos, Enfermeiros, Docentes e estudantes.

Foram apresentadas duas conferências, oito comunicações e uma mesa redonda. Os temas incidiram sobre várias temáticas como educação e parentalidade, violência, gravidez e infertilidade, psicologia clínica e da saúde.

A nota de boas vindas foi feita pela Professora Doutora Margarida Ventura, Directora do ISPT que ressaltou a importância do evento e a sua preocupação com as questões ligadas a saúde mental e a psicologia.

O discurso de abertura foi feito pelo Dr. Altino Matias, Director Provincial da Saúde em representação à Exma. Sr.ª Vice-Governadora para a esfera social, Dr.ª Maria João Chipalavela, e incidiu sobre a estatística concernente aos casos de doença mental na Huíla.

O grupo coral do ISPT brindou-nos como tradicionalmente, com o seu repertório musical angolano e o grupo teatral do ISPT trouxe um diálogo entre as doenças mentais para destacar que as doenças são entidades separadas das pessoas e, por isso, a nossa luta será sempre contra as doenças e não contra as pessoas.

A primeira conferência com o tema «Como nos preparamos para enfrentar as doenças mentais» revelou-se um momento de grande aprendizagem e forneceu guideliness claras e objectivas, não só a nível técnico como prático, de como lidar com a frustração, stress e com a doença.

As comunicações sobre educação e parentalidade apresentaram dados relevantes sobre estados de ansiedade e funcionamento familiar dos estudantes de psicologia do ISPT. Relativamente a parentalidade em amostras étnico-africanas o estudo documental mostrou que determinadas características tocantes a diversas variáveis parentais são similares em amostras afro-descendentes. Este estudo ressaltou a grande necessidade de se desenvolverem estudos em contexto africano e com amostras africanas.

Relativamente ao painel sobre violência foi abordado que os conflitos são inerentes as relações humanas, porém a violência constitui um grande obstáculo a concretização integral dos direitos humanos. Na nossa sociedade existem diversas formas de subjectivação da violência e que a legislação pode ser um veículo para reduzir os casos de violência.
No painel sobre a gravidez e a infertilidade ficou evidente que a gravidez na adolescência coloca um grande obstáculo a continuidade do futuro dos jovens e que as suas implicações são a todos os níveis.

Outros dados mostraram que as mulheres que convivem com o HIV/SIDA apresentam baixa qualidade e satisfação com a vida e que as mulheres que convivem com o diagnostico de infertilidade enfrentam vários constrangimentos e são excluídas, em algumas situações. Estes estudos nos fazem pensar sobre como ajuda-las uma vez que em Angola embora a taxa de natalidade seja elevada os casos de infertilidade são cada vez mais frequentes
.
No dia 06, a primeira conferência procurou despertar nos participantes novas formas de pensar sobre a saúde mental e trouxe propostas simples e modestas, porem inovadoras sobre as novas tendências e paradigmas na saúde mental. Ressaltou que mais do que criar modelo novos devemos repensar nos modelos clássicos e adapta-los à nova realidade social, gerando deste modo novas tendências.
Seguidamente foram abordados temas sobre a dor aguda no contexto angolano e as narrativas e discursos sobre a depressão e ficou esclarecido que a dor e a depressão são conceitos/construtos muito permeáveis aos discursos culturais dominantes.

Para fechar o reportório de apresentações fomos brindados com uma mesa redonda onde se reflectiu sobre os novos caminhos para a saúde mental numa perspectiva multidisciplinar o que permitiu novos debates e uma visão abrangente e esclarecedora. Com esta mesa podemos repensar e re-significar o conceito de doença mental.

Assim, as dezasseis horas e cinquenta e cinco minutos demos por encerrada a II conferência de 2017 e não poderíamos deixar de agradecer a comissão organizadora, científica e técnica (na pessoa do Sr. Armando António), ao secretariado e ao protocolo, que dedicaram o seu empenho à concretização desta actividade.

Agradecemos de igual modo aos prelectores pelo seu tempo e disponibilidade, bem como a todos os professores, estudantes e a todos que nos brindaram com a sua presença.

A todos, muito obrigada!

Por: Dulcineia de Carvalho


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